O que são rodolitos?

           

Mesophyllum erubescens – Ilha do Arvoredo/SC

As algas calcárias não articuladas compreendem mais de 1000 espécies, ocorrendo em todos os oceanos, muitas vezes abundante, ou mesmo dominante, particularmente em locais de alta herbivoria e/ou altos níveis de nutrientes.  São essenciais na construção de recifes de corais em regiões tropicais, agindo como cimentadoras, protegendo esse ambiente contra a ação erosiva das ondas, possibilitando o desenvolvimento e a manutenção desses ecossistemas. 

          Essas algas são também referidas como coralináceas incrustantes, crostosas, não geniculadas, litotâmnios, melobesioídeas e/ou rochas vivas. Algumas formas que crescem desprendidas do substrato são chamadas de rodolitos. Os rodolitos podem ocupar grandes extensões no fundo do mar, constituindo os bancos de rodolitos, que conseguem transformar fundos de areia em um ambiente altamente complexo, servindo de casa e refúgio para uma infinidade de organismos marinhos.

            Os bancos de rodolitos são distribuídos em todos os oceanos e são particularmente abundantes no Mar Mediterrâneo, Golfo da Califórnia e Oceano Atlântico – desde a Noruega, Irlanda, Escócia, incluindo Caribe e Brasil. Você sabia que um estudo recente coloca a região dos Abrolhos como o maior banco de rodolitos do mundo, sendo responsável por 5% da produção mundial de carbonato de cálcio?

            Estima-se que o reservatório de carbonato da plataforma continental brasileira seja da escala de 2 x 1011 tons. Esta enorme reserva representa uma importante fonte de calcário e micronutrientes com grande potencial econômico para uso agrícola como fertilizante e corretor de solos ácidos. No entanto, antes da sua explotação, são necessários estudos detalhados que avaliem as consequências negativas às comunidades animais e vegetais associados, já que os bancos de rodolitos não são importantes só para organismos que aí residem por toda a vida, mas também para espécies que encontram aí um ponto seguro para se alimentarem e reproduzirem.

            Alguns trabalhos têm destacado a importância dessas algas na estruturação de uma abundante e diversificada comunidade bentônica (organismos associados ao fundo). Também têm documentado sua fragilidade a uma série de distúrbios ambientais relacionados direta ou indiretamente à poluição costeira e/ou impactos como os causados por sua explotação – que atualmente é muito discutida no Brasil. Além do impacto direto da atividade de retirada de calcário bruto, já se sabe que a pluma de sedimentos resultante deste processo pode vir a causar uma redução de até 70% na capacidade fotossintetizante dessas algas.

            Outro aspecto interessante das algas calcárias, é que elas podem estar envolvidas no balanço global de CO2, já que absorvem carbono atmosférico para produzir o carbonato de cálcio em sua estrutura – isso porque o gás carbônico dissolvido na água do mar (que é o que as algas marinhas absorvem) está em constante equilíbrio com o CO2 atmosférico. Desta forma, o aumento de gás carbônico atmosférico provoca o aumento da concentração deste gás na água do mar, o que que conhecemos como a acidificação dos oceanos, fenômeno comprovado e que poderá mudar drasticamente a paisagem marinha.

            Muitos são os desafios que a saúde dos bancos de rodolitos enfrenta atualmente: a exploração não criteriosa de

Mesophyllum erubescens – Ilha do Arvoredo/SC

calcário,dragagens, a não continuidade de criação e manutenção de áreas de preservação de bancos de rodolitos e também o descarte descontido de efluentes no mar.

            Em tempos onde questões como efeito estufa, acidificação dos oceanos e eventos extremos estão cada vez mais em pauta, devemos redirecionar nossos esforços a fim de salvaguardar estes preciosos oásis submersos!

                                                           Equipe Rodolito

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